Seminário da Fundação Joaquim Nabuco discute direitos humanos
- Isabelle Annes

- 18 de dez.
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Atualizado: há 5 dias
Encontro reúne diversos segmentos sociais, destacando as relações dos direitos humanos com democracia, educação e sustentabilidade

Seminário Democracia, educação e sustentabilidade em Direitos Humanos. Foto: Ascom.
Por: Isabelle Annes
O seminário Democracia, Educação e Sustentabilidade em Direitos Humanos, promovido na última quinta-feira (11) pela Fundação Joaquim Nabuco, reuniu pesquisadores, gestores públicos e representantes de iniciativas sociais para discutir os desafios contemporâneos na garantia de direitos humanos. Realizado pelo Núcleo de Educação, Cultura, Inclusão, Meio Ambiente e Diversidade em Direitos Humanos (NECIMADH), sob coordenação da Prof. Aida Monteiro (Diplad/Fundaj), o evento contemplou mesas temáticas e debates voltados à justiça social, participação política e sustentabilidade socioambiental, em alusão ao Dia Internacional dos Direitos Humanos.
Ao longo da programação, os participantes puderam apreciar as seguintes mesas: Democracia e Direitos Humanos: desafios para o Brasil contemporâneo, justo e inclusivo; Educação em Direitos Humanos: Instrumentos para a construção de uma cultura de paz e cidadania; Roda de diálogo: O que é a democracia e qual é o papel da escola?; Sustentabilidade e Meio Ambiente como Direitos Humanos. A proposta foi aproximar perspectivas acadêmicas, políticas públicas e práticas comunitárias, ampliando o alcance das discussões.
Direitos humanos nos territórios: impactos, caminhos e desafios

Com mediação do pesquisador e editor da Coletiva, Pedro Silveira, a mesa de encerramento teve como tema “Sustentabilidade e Meio Ambiente como Direitos Humanos”. Segundo Pedro, a ideia do debate foi “pensar esses atravessamentos ecológicos do mundo em que a gente vive, que não é somente humano, em que o nosso futuro depende da gente alimentar boas relações”.

O convidado da mesa foi Victor Moura, jornalista, morador de Água Fria e fundador do Coletivo Redes do Beberibe. Victor apresentou a trajetória e as ações desenvolvidas pelo Coletivo, destacando a necessidade de potencializar a comunicação e a mobilização de moradores e moradoras das comunidades, com o conteúdo focado no território.
Atuando em áreas vulnerabilizadas da Zona Norte do Recife, ele relata a importância de contar as histórias dos bairros que seguem o curso d’água do rio Beberibe, incitando reflexões sobre os efeitos da desigualdade urbana na vida cotidiana das populações periféricas. Victor relatou que a juventude começa a ter essa visão maior da cidade, começa a não naturalizar uma série de violações de direitos humanos, incluindo acesso desigual à moradia, saneamento básico e a um ambiente equilibrado, que são vivenciadas diariamente na bacia do Beberibe.
“Eu venho de um bairro que é Água Fria. Na bacia do Beberibe tem Águas Compridas, Aguazinha, Caixa D'água. A Bomba do Hemetério era Bomba D'água do seu Hemetério. Mais lá pra frente a gente tem mais de 50 comunidades em área de morro que começam com córrego. Existem os canais ali e cada canalzinho é um riacho. E eu fui documentando a história da minha família, das outras pessoas e trazendo a história dos córregos. Então, muitos jovens ficam: "Caramba, eu moro no Córrego do Euclides e eu não sabia que aqui passava um riacho não””, conta Victor.
A experiência do Coletivo Redes do Beberibe é relatada também na reportagem especial “A resiliência que vem da periferia”, que faz parte do Dossiê Periferias, da Revista Coletiva. Na reportagem é possível conhecer mais sobre Victor e outras pessoas que encontram estratégias para garantir uma vida melhor em seus territórios, em tempos de emergência climática.










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