LABERP inaugura nova fase e amplia diálogo entre pesquisa, religião e política
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Laboratório da Fundação Joaquim Nabuco lança página institucional em evento sobre os rumos da religião, da política e dos valores no Brasil.

Por: Isabelle Annes
O Laboratório de Estudos sobre Religião e Política (LABERP), da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), apresentou oficialmente sua nova fase institucional durante uma reunião realizada no dia 10 de julho no Campus Anísio Teixeira, em Apipucos. O encontro marcou o lançamento da nova identidade visual e da página oficial do laboratório, reunindo integrantes da rede de pesquisa para discutir os desafios contemporâneos das relações entre religião, política e democracia no Brasil.
Durante a abertura, a coordenação do LABERP destacou que o encontro simboliza uma etapa de consolidação do projeto, iniciado em 2020 e criado como um espaço de troca entre pesquisadores interessados nas conexões entre religião e política, incorporando estudiosos de diferentes regiões do país. Representando a equipe, a pesquisadora Maria Eduarda Antonino explicou que a iniciativa de lançamento institucional do laboratório busca ampliar o alcance da produção científica por meio de uma comunicação mais acessível à sociedade.
Entre os projetos destacados está uma pesquisa nacional dedicada a compreender as juventudes conservadoras no Brasil contemporâneo, liderada pelo pesquisador e coordenador do LABERP Joanildo Burity, que reúne pesquisadores de diferentes instituições para debater as transformações recentes das identidades religiosas e políticas no país. Além disso, a programação também contou com a palestra “Deus dos brasileiros na ciência, na política e na educação”, ministrada pela socióloga Christina Vital, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e reconhecida por suas pesquisas sobre religião, política, violência e conservadorismo.
Religião, política e democracia
Na conferência, Christina Vital apresentou resultados preliminares da pesquisa nacional “Religião, Política e Valores dos Brasileiros: entre extremismos e mediações”, coordenada por ela em parceria com o Datafolha. O levantamento investiga percepções da população brasileira sobre religião, democracia, confiança institucional, desigualdade social, ciência e comportamento político.
Entre os dados apresentados, a pesquisadora destacou que a maioria dos brasileiros associa a crença em Deus a valores morais positivos e considera importante a presença dessa dimensão religiosa na formação social. Ao mesmo tempo, a pesquisa identifica uma confiança significativamente menor nas instituições religiosas do que na própria ideia de Deus, revelando uma diferença entre religiosidade e institucionalidade.
Outro aspecto debatido foi a percepção sobre o Estado laico. Segundo Vital, embora exista o reconhecimento da importância da laicidade, parte significativa da população ainda associa o conceito à separação completa entre religião e política, destacando disputas de interpretação acerca do tema. A pesquisa também aponta diferenças relevantes entre gerações, níveis de renda e grupos religiosos na percepção sobre democracia, políticas públicas e valores morais, indicando que fatores como faixa etária e condição socioeconômica produzem diferenças expressivas em diversos indicadores analisados.
Formação de pesquisadores
Além dos debates acadêmicos, o encontro evidenciou o papel do LABERP como espaço de formação e articulação de pesquisadores. O doutorando em Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Danillo Rafael, destacou o caráter multidisciplinar do grupo como um dos principais diferenciais da experiência. "Desde que comecei a participar do LABERP, o que mais me impressiona é a diversidade de áreas presentes no grupo. Temos pesquisadores da sociologia, antropologia, ciência política e outras áreas, o que enriquece muito nossa formação. As reuniões, os convidados e o contato com diferentes métodos fortalecem nossa experiência como pesquisadores", afirmou.
A vice-líder do laboratório, Jéssica Duarte, também ressaltou a importância do grupo em sua trajetória acadêmica. Após defender uma tese sobre conservadorismo no Brasil e nos Estados Unidos, ela encontrou no LABERP um espaço de diálogo interdisciplinar e aprofundamento metodológico. "Foi como se toda a minha trajetória acadêmica tivesse me trazido para cá. É um grupo extremamente diverso, que reúne diferentes perspectivas e me proporcionou ampliar minha experiência com metodologias qualitativas. Hoje fazemos parte de uma pesquisa nacional sobre juventudes conservadoras e queremos produzir conhecimento acessível, rigoroso e relevante também para quem está fora da universidade", destacou.
Já Ivo Pereira, membro do LABERP, contou que sua aproximação com o laboratório nasceu da trajetória iniciada ainda na graduação, como bolsista de iniciação científica da Fundaj. Segundo ele, o grupo abriu caminhos para o desenvolvimento de seu projeto de doutorado, dedicado às juventudes religiosas do Recife. "Foi no LABERP que amadureci meu projeto para investigar como jovens evangélicos e católicos constroem suas identidades locais e religiosas e como essas dimensões dialogam entre si. Participar da pesquisa sobre juventudes conservadoras fortalece esse percurso e certamente renderá novos frutos para a pesquisa", afirmou.
Ao final da programação, pesquisadores presentes levantaram questões sobre educação, conservadorismo, juventudes, metodologias de pesquisa e diferenças regionais, ampliando o debate sobre os desafios da produção científica em um cenário de intensas transformações sociais e políticas. Para os organizadores, o encontro reafirma o compromisso do LABERP em fortalecer redes de pesquisa, ampliar o diálogo interdisciplinar e tornar a produção científica mais acessível ao público, consolidando o laboratório como um espaço de referência nos estudos sobre religião, política e sociedade.




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