SONORA COLETIVA

O compositor, cantor, poeta e cineasta Alceu Valença é o convidado do Sonora Coletiva no Canal multiHlab, do ProfSocio/Fundaj, na próxima quinta (dia 15), às 19h.

 

Em quarentena desde março, Alceu Valença aproveitou o período de incerteza para tocar violão como nunca, em sua casa no Rio. Acostumado a passar mais tempo na estrada do que em casa, de um momento para outro, o artista andarilho viu-se obrigado a recriar seu cotidiano sem tempo de pensar no amanhã. O violão acabou sendo sua melhor companhia. Os dias passavam lentamente e Alceu aproveitava para apurar a técnica: buscou novas maneiras de interpretar seus sucessos, reinventou tesouros escondidos de seu repertório, descortinou músicas inéditas, trafegou do frevo ao samba, do xote blues ao frevo-de-bloco.

 

Meses depois, entrou no Estúdio Tambor (RJ) munido do violão e de múltiplas ideias. O que, a princípio, seria um álbum simples acabou por tornar-se uma série de lançamentos digitais. Foram cerca de 30 músicas, gravadas entre novembro e janeiro, com produção de Rafael Ramos. Primeiro dos três álbuns previstos para este ano, “Sem Pensar no Amanhã” foi lançado nas plataformas digitais no dia 12 de março, aniversário de Olinda e Recife, duas das matrizes sonoras do compositor.

 

Nascido em São Bento do Una, agreste de Pernambuco, em 1946, Alceu Valença cresceu em convívio direto com os elementos vivos que ajudaram a consolidar a cultura nordestina contemporânea. Pelo canto dos aboiadores, emboladores, violeiros e cantadores de feira; pelas toadas, baiões, xotes e rojões, cantigas de cego e tocadores de sanfona de oito baixos; pelos poetas de cordel, versejadores populares e artistas de circo, entre outras manifestações que conhecera desde o berço, Alceu assimilou a cultura e a música do agreste e do sertão a partir das raízes que a constituíram.

 

Aos 40 anos de carreira (a partir do primeiro LP solo, “Molhado de Suor”, de 1974), com mais de 35 discos lançados, Alceu Valença continua a se reinventar. Em 2014, lançou seu primeiro filme longa-metragem como diretor, “A Luneta do Tempo” – com forte temática nordestina, do cordel ao cangaço, do forró ao circo - onde atuou também como roteirista, montador e ator, além de escrever todos os diálogos e canções. O filme representou seu retorno ao cinema, iniciado ainda no ano de 1974, quando participou, como ator e intérprete, da trilha sonora de “A Noite do Espantalho”, dirigido pelo músico e compositor Sérgio Ricardo. Em 2015, Alceu Valença lançou o livro de poemas e letras “O Poeta da Madrugada”, pela editora Chiado.

O processo de criação dos três álbuns na quarentena, sua trajetória e obra artística, que envolve ainda poesia e cinema, serão os temas do próximo Sonora Coletiva. O bate-papo com Alceu Valença acontecerá na quinta-feira (dia 15), às 19h, e será transmitido pelo Canal multiHlab, no YouTube, como parte das atividades do Sonora Coletiva, vinculado à Revista Coletiva, da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). Participarão dessa conversa os pesquisadores Allan Monteiro, Cristiano Borba e Túlio Velho Barreto, que vêm desenvolvendo atividades no âmbito do Núcleo de Imagem, Memória e História Oral (NIMHO), do Centro de Documentação e de Estudos da História Brasileira (Cehibra), coordenado por pesquisadores da Fundaj, entre eles Sylvia Couceiro e Cristiano Borba, registrando depoimentos de personagens que fizeram trabalharam com música em Pernambuco entre 1970 e 2000. 

 

Para o pesquisador Túlio Velho Barreto, “a participação de Alceu Valença no Sonora Coletiva nos dará a oportunidade de conversar também sobre sua marcante trajetória nessa cena musical da década de 1970, quando ele concebeu quatro álbuns seminais, inclusive o ‘Saudade de Pernambuco’, gravado na França e só lançado no Brasil muitos anos depois. E, claro, sobre sua bem sucedida carreira desde então, quando se tornou um dos artistas mais populares do Brasil”.

 

 

SAIBA MAIS:

 

SONORA COLETIVA​ é o canal experimental da revista eletrônica de divulgação científica COLETIVA, publicada pela Fundaj. Sediada no Recife, a revista disponibiliza dossiês temáticos com uma perspectiva de diálogo entre saberes acadêmicos e outras formas de conhecimento, prezando pela diversidade sociocultural e liberdade de expressão. É voltada para um público amplo, curioso e crítico. O projeto integra o ProfSocio, o multiHlab e a Villa Digital, envolvendo as diversas diretorias da Fundaj.

 

SERVIÇO:

 

SONORA COLETIVA conversa com Alceu Valença Participantes: Allan Monteiro, Cristiano Borba e Túlio Velho Barreto

Data: 15 de abril de 2021 (quinta-feira) Horário: 19h

Transmissão: Canal multiHlab | Sonora Coletiva.

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