Genealogias dos corpos tatuados no Brasil

21 de dezembro de 2019 |Silvana Jeha

 

A tatuagem não chegou no território que hoje chamamos Brasil. Muitos povos nativos já se tatuavam. A partir de 1500, marítimos, degredados, colonos portugueses começam a desembarcar. Alguns provavelmente tatuados. Algumas décadas depois, trazidos a força, chegam os africanos escravizados. Eles também marcavam o corpo indelevelmente. Na passagem do século XIX para o XX, durante a grande imigração, vieram outros europeus, médio-orientais e orientais para compor esse mosaico de corpos marcados. Devido à documentação disponível e acessível, é a partir do século XIX que podemos vislumbrar melhor esse conjunto de corpos desenhados, que já sabemos existir antes.

Hoje, alguns povos se tatuam nas regiões no Xingu e na Amazônia. Korotowi Taffarel Ikpeng a dissertação Ritual da tatuagem: Educação ambiental e prática cultural entre os Ikpeng, sobre a  Festa Moyngo, ou o “ritual da tatuagem” de seu povo. Kumaré e Kanaré Ikpeng filmaram a festa que resultou no filme Moyngo, o sonho de Maragareum. Trata-se de ritual iniciação dos meninos, de oito a doze anos, que além serem tatuados, têm as orelhas furadas, aprendem a caçar e manejar a floresta. A tinta da tatuagem resulta da mistura das cinzas da  resina de jatobá, usada para acender o fogo que cozinha a comida do ritual, com o sumo das folhas de Ankuwingo. Durante a feitura do desenho no rosto com o espinho da palmeira Tucum, os meninos não devem chorar, devem mostrar resistência e coragem. São meses de preparo para este ritual, que é de passagem e marca o pertencimento àquele povo. Pierre Clastres, antropólogo e etnógrafo francês, entende esses rituais de iniciação como o momento da escrita da lei no corpo, “uma lembrança inesquecível”. A dor passa, mas a marca lembra que aquele sujeito vai pertencer para sempre àquele povo. E mais  “a marca sobre o corpo, igual sobre todos os corpos, enuncia: ‘Tu não terás o desejo do poder, nem desejarás ser submisso’.”

Nos milhares de anúncios de fuga de escravizados dos periódicos do século XIX, assim como nas listas dos navios negreiros, podemos ler as marcas da diversidade dos povos africanos que para cá vieram compulsoriamente. Como os povos nativos do Brasil, portavam suas marcas de pertencimento, inscrições que também escrevem a história dessa África no Brasil.  No Recife, Engraça, nação Benim, fugiu e assim seu corpo foi descrito com alguma poesia, apesar de inserida no trágico mundo da escravidão: “Na testa com uns poucos riscos da mesma nação, nariz afilado, dentes limados e uns riscos em ambos os braços que lhe vem acabar entre os peitos; no cangote atrás um bordade [sic] que parece um calunga, as costas e fios dos lombos todos bordados.” (Diário de Pernambuco, 3 set. 1830). Alguns povos, dos quais os indivíduos da diáspora africana no Brasil descendem, ainda praticam no continente africano os rituais de marcar o corpo, possibilitando um diálogo dessa memória e dessa prática,  fluxo e refluxo, como bem nomeou o fotógrafo e etnólogo Pierre Verger. 

Em Iorubá o verbo usado para riscar a pele significa também civilizar. Marcar o corpo, arar a terra é civilizar, é marca humana. Nos terreiros de umbanda os pontos riscados pelas entidades também migraram para pele, muitos brasileiros o fizeram nos braços, no peito. A prática ressignificada dessas marcas, ou da cultura de marcar-se, acontece ainda nos terreiros das religiões afro-ameríndia-brasileiras, lugares privilegiados da memória africana. Em alguns terreiros de nação Nagô faz-se três riscos para homenagear os povos falantes de iorubá.  

O corpo humano, móvel por natureza, é o único elemento fixo da tatuagem. As técnicas de perfurar ou cortar a pele são inúmeras. Inclusive há de se questionar se o pigmento é fundamental. Digo isso porque é importante incorporar as marcas de africanos, chamadas de escarificações,  na história da tatuagem no Brasil. Como fazer essa história sem a marca de um dos pilares da população do país?

Podemos chamar a tatuagem indígena e africana e de alguns grupos de imigrantes simplesmente de étnicas em oposição ao que chamamos de tatuagem ocidental? Provisoriamente, por enquanto, sim. Mas é preciso investigar como as marcas indígenas e africanas conviveram com a dita ocidental, criando um resultado híbrido, algo próximo à ideia de cultura híbrida do mexicano Néstor Canclini García, que serve muito às culturas latino-americanas com fortes presenças indígenas, africanas e europeias e outras minorias com diferentes dosagens de cada um, a depender do país, desafiando os binarismos subalterno/hegemônico, tradicional/moderno.

A tatuagem chamada ocidental tem uma prática e um repertório compartilhados no circuito Mediterrâneo-Atlântico. Ambientes marítimos ou beira-mares porque é ali que elas são mais documentadas desde pelo menos o século XVIII. É nos registros de navios de muitas margens atlânticas e mediterrâneas que sabemos dos tatuados mais antigos, inclusive os brasileiros. Os marinheiros foram grandes disseminadores dessa cultura popular ocidental. Antes da tatuagem se espalhar entre todas as classes sociais, e tornar-se cultura pop, era principalmente nas regiões portuárias que atuavam grande parte dos tatuadores conhecidos ou anônimos. No Brasil o primeiro tatuador com loja foi Tattoo Lucky, um marinheiro dinamarquês, seguindo essa tradição. O endereço era o bas-fond na região portuária de Santos, onde atuou nas décadas de 1960 e 1970. 

Outro fenômeno multiplicado em muitas partes do mundo foi e é a tatuagem nos quartéis e presídios. Nos primeiros, foram feitas, além de tatuagens de amor, as patrióticas ou relacionadas a algum conflito ou batalhão. Nos segundos, uma variedade enorme, inclusa as criminais, mas a maioria evocou o desamparo, a saudade, o desejo, a fé.  Uma marca dessa tatuagem ocidental são os ambientes confinados, onde os sujeitos, quase sempre homens, sentem falta.  Mas esses ambientes nunca detiveram a exclusividade dessa prática. Nas ruas, bares, quintais, praias e outros ambientes abertos, ela grassou igualmente entre a mesma classe dos que serviram às Forças Armadas ou foram detidos: a classe trabalhadora. 

Como os escravizados, soldados, marujos e prisioneiros eram minuciosamente descritos para serem reconhecidos em caso de fuga.  Por isso, os primeiros registros de tatuagem ocidental que encontrei no Brasil estão em livros de navios Marinha de Guerra.  Entre 1833 e 1835, na corveta Imperatriz, sabemos que baianos, ingleses, cearenses, africanos, portugueses portavam tatuagens. As tatuagens simples da época. Estrelas, iniciais, figuras rústicas, entre outras.  Dos ambientes prisionais o primeiro que eu tenho notícias de tatuagens é o Presídio da Ilha de Fernando de Noronha, já na primeira metade do século XIX. 

 A tatuagem era, e ainda é, em parte, uma cultura marcada pela virilidade. Jorge, foguista da marinha mercante, contou para o psiquiatra que o entrevistou que sua primeira tatuagem foi feita ainda criança numa praia de Olinda por um pescador. Já marítimo, recebeu tatuagens de russos, ingleses e um estivador brasileiro no Porto de Santos. Os desenhos na sua pele contavam sua cultura marítima multilocal e multicultural: o símbolo e a sigla do Partido Comunista Brasileiro, uma cobra que subia pelo seu braço até chegar no seu peito, corações, um diabo e cruzes.  

A maioria dos povos que chegaram no Brasil no período da grande imigração também vieram tatuados. A tatuagem portuguesa muito semelhante à brasileira mostra que essa relação começou antes, na colonização, principalmente por meio de símbolos cristãos no contexto do catolicismo popular.  Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa, Oduvaldo Vianna, entre outros, incorporaram em seus textos os “turcos” tatuados  - como ficaram conhecidos os sírios e libaneses imigrados com passaporte turco. Foram mais notadas que a das demais nacionalidades, pois feitas nas mãos. Além disso, também eram tatuadores, tanto homens quanto mulheres. Os italianos possuíam a especificidade da tatuagem devocional católica, muitas de suas marcas são imagens de anjos. As mulheres de Okinawa chegaram a ser proibidas de imigrar, devido às tatuagens nas mãos.

As prostitutas se destacam dentre as mulheres tatuadas. Pouco sabemos das demais. Outras se tatuavam, mas não foram presas, não ficavam nuas, não foram esmiuçadas.  Temos pistas de uma lavadeira ali, uma menina adolescente pobre acolá, ou, ainda, uma moça religiosa, além das imigrantes. Nas prisões femininas a tatuagem também grassou.  Um jornalista da década de 1920 escreveu uma crônica sobre Marocas, uma prostituta multitatuada, entrevistando a dona do bordel onde ela trabalhava na região do Mangue no Rio de Janeiro, já que a sua personagem não teria lhe dado trela. No final da crônica ele escreve que a moça o olha com raiva batendo no peito e diz: “As minhas tatuagens? São minhas, são a minha intimidade, os meus segredos que não confio a qualquer um! – Ora! Se estão de fora...  – Fora das roupas sim, mas dentro da alma! ” Essa tensão entre o que diz o corpo o que diz a alma, reaparece no samba “Tatuagem”de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, gravado em 1972:  Muita gente tem o corpo tão bonito/ Mas tem a alma toda tatuada. ” Na mesma época, no rastro do popular, Chico Buarque grava outra canção chamada “Tatuagem”, na trilha sonora de sua peça Calabar: “quero ficar feito cruz nas tuas costas...”

Chegamos então ao “corpo” tatuado brasileiro que se forjou entre indígenas, africanos escravizados, colonos, imigrantes e mestiços de variado matiz. Corpos misturados, ou não, que compuseram a chamada população brasileira. O período republicano é quando podemos vislumbrar com mais nitidez esse mosaico de gente. Esses corpos tatuados, na sua maioria, eram de “pobres, negros e índios” expressão que subverteu o lema “Ordem e progresso” da versão da bandeira republicana do Brasil, flamulada durante o desfile da Escola de Samba Mangueira de 2019.  Atitude transgressora que remete as palavras de Antonio Negri e Michael Hardt “a carne elementar da multidão é desesperadamente fugidia, pois não pode ser inteiramente enfeixada nos órgãos hierárquicos de um corpo político”. O corpo da multidão que se quer disciplinado, submetido à produção e reprodução não é jamais inteiramente dominado, nem quando escravizado. A tatuagem foi e continua sendo uma linguagem de resistência, subjetividade e pertencimento. Todos esses corpos, ferozmente discriminados por autoridades do Estado e da Igreja,  durante boa parte dos séculos XIX e XX. Não à toa, nesse período, a cultura popular era comparada dos povos indígenas.

 

A partir de um tipo de saber criado, dentre outros, pelo médico e criminalista Cesare Lombroso, com seu livro O homem criminoso, de 1876, - cuja escola chamamos posteriormente de criminologia positivista - o corpo tatuado fica associado ao delito, ao desvio. Desde o século XIX, as teorias de degeneração, eugenistas e racistas europeias foram abraçadas por médicos, instituições policiais brasileiras e intelectuais importantes.  A criminologia positivista teve (e ainda tem) ampla aceitação no Brasil e as cadeiras de medicina legal das faculdades brasileiras a adotaram com entusiasmo. A partir de 1892, nesta área do conhecimento, há estudos da tatuagem relacionadas ao crime e todas citam Lombroso como marco do assunto, além de Alexandre de Lacassagne, um médico francês que trabalhou nas prisões de degredados militares franceses no Norte da África e publicou um livro, onde ensina uma metodologia de estudo da tatuagem prisional que se tornou referência. Mais tarde é a vez dos psiquiatras que vão estudar a “psiquê criminal” nos presídios. Todos continuam a relacionar, de algum modo, as marcas de pele ao crime. Com efeito, a maioria das pesquisas são feitas nas prisões, onde os corpos estão sujeitos às autoridades. Por outro lado, esses estudos representam hoje os maiores acervos sobre tatuagem que dispomos para a pesquisa histórica.

Se a tatuagem era registrada no mais das vezes nas prisões, caso fosse identificada na rua, cana! Antes e hoje, parte considerável da polícia abusa do poder e aborda e/ou prende o sujeito por sua aparência, cor, classe. O compositor carioca Guilherme de Brito, parceiro de Nelson Cavaquinho fez uma tatuagem no braço na década de 1940 no morro do Tuiutí no Rio de Janeiro. Trabalhou a vida toda com carteira assinada, como mecânico de máquinas de escrever. Ele explica: “ Você tava numa roda, a polícia chegava, o sujeito com tatuagem ia em cana. Não tinha argumento não ‘Mas doutor… Doutor uma porra entra aí!’ Levava uma porrada e entrava mesmo. Era assim antigamente, eles já chegavam e levantavam a camisa para procurar uma tatuagem”.  Por isso, afirma ter usado camisa de manga comprida a vida inteira.

Diante da disseminação da documentação policial na imprensa brasileira, esta última funcionando como órgão de divulgação da primeira, a tatuagem se imprime no imaginário coletivo relacionada ao corpo preso, bandido e/ou morto, até pouco tempo atrás. A obra de Hélio Oiticica “Seja marginal, seja herói”, não à toa, é feita a partir de uma fotografia de um homem morto estampada num jornal, de 1968, que “se espremer, sai sangue”, como diz o dito popular. O marginal, morto de braços abertos como um Cristo tombado. 

Outra fonte, mais sensível, para conhecermos a cultura da tatuagem no Brasil é a literatura. Machado de Assis, Pedro Nava, Mario de Andrade, Graciliano Ramos entre outros trazem personagens tatuados em seus escritos. João do Rio nos legou as informações mais íntimas dos tatuados no seu texto clássico “Os tatuadores” publicada na revista Kosmos em 1904 e republicada como “A tatuagem no Rio” em seu A alma encantadora das Ruas de 1908. O texto é resultado de uma reportagem alentada, guiada pelo tatuador Madruga. Quais corpos são tatuados? Ele responde: “a camada que trabalha braçalmente, os carroceiros, os carregadores, os filhos dos carroceiros deixaram-se tatuar porque era bonito, e são no fundo incapazes de ir parar na cadeia por qualquer crime. A outra, a perdida, a maior, o oceano da malandragem e da prostituição é que me proporcionou o ensejo de estudar ao ar livre o que se pode estudar na abafada atmosfera das prisões. A tatuagem tem nesse meio a significação do amor, do desprezo, do amuleto, posse, do preservativo, das ideias patrióticas do indivíduo, da sua qualidade primordial”. Os tatuados são trabalhadores. Prostitutas e a malandragem são a parte da classe trabalhadora não disciplinada.

A tatuagem é uma expressão de fé.  Os objetos do martírio ou da paixão de Cristo, conhecido na teologia como as arma christi, estão reproduzidos em suportes diversos nas igrejas, em orações de bolsas de mandigas de africanos do século XVIII e  nas tatuagens do povo, enfim é um conjunto de símbolos marcantes na cultura religiosa luso-afro-brasileira.   No poema de Jorge de Lima O grande circo místico de 1935: “Margarete tatuou o corpo/ sofrendo muito por amor de Deus,/ pois gravou em sua pele rósea/ a Via-Sacra do Senhor dos Passos./ E nenhum tigre a ofendeu jamais.”

Cristo e outras tatuagens religiosas fecham o corpo, o protegem. João do Rio conta que o marinheiro Joaquim, no tempo que chibata estalava na Marinha de Guerra, tinha “um senhor crucificado no peito e uma cruz negra nas costas”. Isso tirava a coragem dos guardiões de sová-los: “parece que estão dando em Jesus! ” O sacrifício do Cristo que sangra furado pelos cravos com a marca da lança no peito, é uma identificação do cristão com aquele que teve seu corpo dilacerado para lavar o pecado do mundo e isso pode ser estampado na pele. Nos corpos martirizados tatua-se o corpo martirizado mais conhecido, depois de muitas torturas, crucificado entre dois ladrões. Tatuagem popularíssima nas cadeias, o preso, o escravizado, o oprimido em geral se identifica com Cristo. Na Bíblia lê-se “E o verbo se fez carne” (1,14) Jesus é o filho de Deus, encarnado, os seus seguidores há séculos tatuam na própria carne o filho de Deus na cruz ou Redentor de braços abertos. Desde o século XIX, tanto em Portugal, quanto no Brasil, também se tatuou muito as chamadas “cinco chagas” : ela é representada por cinco pontos, dois em cima, dois embaixo e um no meio, evocando as cinco feridas de Jesus nas mãos, pés e peito..

A estrela de cinco pontas ou signo de salomão é e foi usada por negros, pardos e brancos para proteger, “fechar o corpo” há séculos. Carlos Julião desenhou uma mulher negra no fim do século XVIII com a estrela tatuada na mão. Na tela da pintora Maria Emilia de Ramos, de 1895, ela está na mão de um soldado. Maria Benvinda, uma mulher negra e pobre, foi escarificada no peito no terreiro de um sacerdote negro para “os espíritos bons entrarem nela”.  Cortar a pele, abre o corpo para o bem entrar e “fechar” esse corpo. Ela é amuleto.

Como a tatuagem da paixão religiosa, a dos corações e corpos vige. A palavra amor, saudade, os corações apunhalados, os infinitos nomes de mulheres, mas também de homens, rostos e corpos de mulher vestidas e nuas, iniciais de amantes, amor de mãe, retrato de mãe, de filho, de astros do cinema. No filme Tatuagem de Hilton Lacerda o soldado Fininha, no quartel, corta o peito com a inicial de seu amado dentro de um coração rústico. Imagino o quanto o amor homossexual e/ou secreto foi disfarçado pelas iniciais. O amor inominável. O indivíduo que ama, rasga a voluntariamente a pele para fazer uma marca indelével. Quer transformar um corpo cujas paixões são desde o nascimento expressas por mecanismos internos involuntários como tremer, suar, arrepiar-se, excitar-se. A diferença desses sinais passageiros para a tatuagem é que ela é um ato voluntário e indelével e anuncia com todas as letras: Eu amo, eu ardo, e me corto, me furo, para gritar esse amor e desejo.

 A tatuagem é um “documento” importante para a história das sensibilidades e a história social. O que esteve inscrito nos corpos desses homens e mulheres  revela o que sentiam, no que acreditavam e em que tempo e contexto essas pessoas viveram. Num período que a maioria da população era analfabeta, a tatuagem é uma das poucas narrativas de si das classes populares. Graças, principalmente, aos documentos criados para reprimir - fotos, fichas criminais, notíciais policiais –podemos hoje subverter suas funções originais e pensar a história do Brasil e a história do corpo no Brasil, levando em considerações  as marcas dos corpos que materialmente se dissolveram, mas seus rastros, suas falas, seus desejos foram registrados por aqueles que lhes reprimiram. E escarafunchando a nossa tradição literária, encontramos também quem as admirou: : “Foram as tatuagens do corpo do homem que me deslumbraram”, escreveu Machado de Assis numa crônica em 1895. 

 

Para saber mais 

CLASTRES, Pierre. A sociedade contra o Estado. São Paulo: Cosac & Naify, 2003.

HARDT, Michael; NEGRI, Antonio. Multidão. Guerra e democracia na era do Império.  Rio de Janeiro: Record, 2005.

A autora

Silvana Jeha é doutora em História Social da Cultura pela PUC-Rio e autora do livro Uma história da tatuagem no Brasil, pela Editora Veneta em 2019. Escreve sobre história dos rios, indígenas, escravizados, marinheiros, prostitutas e tatuagem.

APOIO
LABJOR/UNICAMP
REALIZAÇÃO
FUNDAÇÃO JOAQUIM NABUCO