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12 de junho de 2019 

Quem tem direito à vida na cidade?

Bruno Puccinelli

Há mais ou menos 50 anos foram publicadas três obras tematizando o planejamento urbano e o desenvolvimento das cidades que ecoam nos entendimentos atuais sobre o direito à cidade. Em 1961, a primeira publicação de Morte e vida de grandes cidades, da jornalista estadunidense Jane Jacobs, analisava criticamente as incongruências dos altos investimentos públicos na “revitalização” de bairros considerados degradados em grandes cidades americanas e apontava como a ideia de racionalizar as dinâmicas locais ignorava a vida existente nas ruas. Três anos depois, em 1964, a socióloga britânica Ruth Glass cunhou o termo “gentrification” ao analisar processos de intensa mudança e alteração social de bairros centrais de moradia da classe trabalhadora em Londres no livro London: aspects of change.

 

Em linhas gerais, o termo “gentrification” tenta dar conta destas profundas alterações sociais ao atribuir ao conjunto de pessoas que passa a viver nestas áreas uma diferença de status presente no prefixo “gentry”, algo como nobre, traduzido na análise da historiadora Silvana Rubino como “enobrecimento”. Ao longo do texto irei utilizar o aportuguesamento gentrificação por ser de uso mais corrente neste debate. Apenas quatro anos depois, no contexto das mobilizações estudantis francesas em maio de 1968, “O direito à cidade”, do sociólogo Henri Lefebvre, debatia os problemas urbanos a partir de uma crítica marxista à ideia de cidade planejada que prescindia da vida no nível das ruas, das pessoas e dos encontros.

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Estas três obras emblemáticas, publicadas num mesmo período, demonstram uma preocupação comum às discussões sobre as grandes cidades, seus problemas e projetos de intervenção. Quais os pressupostos de tais projetos? Quem decide o que será alterado e o que será mantido? De onde virá o financiamento? Quem será afetado? Quem está sendo ouvido para o desenho das intervenções? Para quem a cidade que será modificada é preparada?

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Na introdução do livro de Jacobs temos algumas pistas dos projetos em voga na visão de urbanistas e planejadores: um bairro degradado e com altos índices de violência é visitado e se imagina que a implantação de uma “área verde”, como um gramado, pode incrementar as possibilidades de lazer e encontro entre vizinhos e, assim, tornar a rua mais movimentada e segura num ambiente engolido pelo concreto. A autora, de forma perspicaz, mostra a falácia do projeto ao contrapô-lo à manifestação de uma moradora que afirma ser contrária ao gramado porque nunca foi uma solicitação local, mas a decisão de alguém de fora. Os moradores nunca foram ouvidos.

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Quero partir desse ponto e articular, neste texto, questões advindas de meu próprio trabalho de pesquisa sócio-antropológico realizado na última década em São Paulo, focado em áreas da cidade definidas como “gays”, me apropriando da discussão que tem sido articulada em movimentos sociais pelo “direito à cidade” e “anti-gentrificação”, ou seja, profundamente impactados pelos trabalhos de Lefebvre e Glass, e o debate decorrente destas últimas cinco décadas. A permanência e atualidade dos termos e expressões utilizados pelos autores mostram o eco crítico e o olhar cuidadoso que se sobressai às conclusões da época[1].

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Cito, por exemplo, a variedade de aproximações junto à noção de “direito à cidade” que, em muitas cidades, passou a ocupar tanto o lugar de normativas estatais na premissa de garantir ao munícipe o usufruto da vida urbana através de melhorias nos equipamentos municipais, tais como transporte, saúde e educação, por exemplo. Ao mesmo tempo, observamos um uso cada vez mais presente desta expressão nas reivindicações de movimentos sociais urbanos, como os ligados à moradia e ao transporte[2], inclusive, na pauta de cidades mais humanas, abertas ao encontro. Este último ponto se refere também às formas como a noção de gentrificação tem sido articulada nesse espectro crítico contemporâneo: processos de mudança em bairros centrais que passam a receber moradores e frequentadores de classes mais altas, procedendo à expulsão de extratos mais empobrecidos.

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Está em xeque, portanto, a (im)possibilidade do encontro de diferentes pessoas viventes numa grande cidade. Como manter um convívio harmônico quando determinados sujeitos são considerados indesejáveis ou mesmo expulsos?

Cidade e racionalidade

Tanto Lefebvre quanto Glass e Jacobs tinham um ponto em comum em sua crítica à cidade na metade do século XX: o planejamento moderno/modernista de organização do espaço urbano demandava altos valores para sua implementação e tornava a vida nas ruas estéril. Em linhas gerais, o planejamento moderno das cidades impunha uma racionalidade que daria conta dos problemas que se agravavam desde o rápido crescimento urbano a partir do século XIX com a expansão industrial. Além disso, as migrações de colonos europeus a países das américas impulsionava problemas em relação ao transporte e à moradia, por exemplo. A convivência de estratos sócio-culturais tão diversos se tornava um adicional a ser equilibrado pelas gestões locais e nacionais.

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Mas como equilibrar essa convivência? Algumas das propostas que ganharam lugar na organização das cidades visavam construir bairros funcionais, alocando partes do centro para as funções administrativas municipais e o comércio, setores médicos, setores de abastecimento, setores educacionais, setores industriais e diversos setores habitacionais divididos pelo perfil econômico. Tais áreas seriam conectadas por extensas vias expressas, vias perimetrais, de ligação, e transporte coletivo. Há croquis semelhantes a esboços de filmes de ficção científica, com altos edifícios e viadutos que os recortam. Entretanto, na prática, o planejamento modernista que pretendia impor uma lógica que seria realizada pelos citadinos apenas pelo seu desenho organizacional se deparava com a cidade real, no nível da rua.

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No Brasil, temos como exemplo clássico de cidade mais ou menos nesse molde Brasília, um “setor cívico-administrativo” que precisa lidar com as desigualdades do contexto nacional. O conjunto das cidades criadas no entorno, imaginadas como temporárias, permanecem no cenário das sub-divisões sociais impostas pelas políticas urbanas que têm sido aplicadas no país. Quem construiu Brasília não pode viver lá, precisou levantar uma cidade fora da cidade.

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O caso de São Paulo é um resumo de outros tantos casos de cidades que cresceram com uma organização municipal voltada para áreas mais centrais e que foi abrindo caminho para as periferias através de concessões privadas. A ampliação das linhas de bonde segue essa dinâmica, assim como os interesses em implementação de novos bairros e áreas de moradia[3]. O centro compunha um cenário de concentração do comércio, moradia, lazer e administração pública até o quarto centenário da cidade, em 1954, ainda que já estivesse em vigor um duplo movimento de migração: um intenso fluxo de trabalhadores da região nordeste para a “cidade que mais cresce no mundo” e a ocupação das periferias por estratos empobrecidos. Ainda que na área vizinha ao triângulo central paulistano houvesse uma concentração de estratos médios até os anos de 1960/70, a socióloga Fraya Frehse aponta que, historicamente, o centro da cidade era também o lugar dos grupos mais pobres. Um exemplo dessa continuidade está no bairro do Bexiga, até hoje um bairro popular vizinho a bairros mais nobres, mesmo com a tentativa de torná-lo mais aprazível à classe média quando passou a se chamar Bela Vista.

 

Os saltos populacionais de São Paulo nesse período dão um pouco conta da complexidade dos problemas que a cidade passa a viver no século XX. Em 1900, por exemplo, a cidade contava com pouco mais de dois milhões de habitantes, saltando para mais de doze milhões em sessenta anos (1960). Além disso, é preciso destacar o processo turbulento e inacabado do fim da escravatura das/os negras/os e a facilitação de contingentes europeus para ocupar as lavouras na virada do século XIX e XX criou as condições para uma multidão de pessoas empobrecidas e deixadas à própria sorte. O sociólogo Florestan Fernandes, em seu trabalho clássico, Brancos e Negros em São Paulo, apresenta um quadro desanimador sobre as relações raciais nessa cidade na década de 1950, que apontava a impossibilidade do acesso a estudos e a trabalho, restando uma vida precária nas periferias em expansão. Em primeira pessoa, a escritora Carolina Maria de Jesus, moradora de uma favela à beira do rio Tietê, descreve o cotidiano das mulheres negras na São Paulo da década de 1960, cujo imperativo do trabalho doméstico, sem benefícios e com início ainda em idade escolar, traçava uma divisão sobre a qual mulheres poderiam usufruir das vitrines dos magazines da Praça Ramos de Azevedo, centro da cidade.

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Longe de querer dar conta de um contexto tão amplo, trago este cenário para pensarmos sobre o que estamos falando quando nos referimos ao “direito à cidade”. Cidades são constituídas por aglomerações populacionais, serviços e edificações, mas todas as cidades são iguais? Poderíamos, assim, aplicar as mesmas respostas em todas as cidades com problemas semelhantes? Tentar tornar as cidades funcionais, subdividindo suas áreas por setores específicos é um caminho? Podemos falar de cidades sem falar de pessoas?

Encontro e conflito

As propostas de (re)organização da cidade, como podemos supor, pretendem criar e dar novo sentido a fluxos existentes, intervindo nas formas de circular e usar a cidade. Em grandes cidades, em especial as megalópoles, estratégias de tráfego urbano para dias ou horários específicos tentam intervir no trânsito intenso dos horários de pico, impondo limitações do acesso a veículos em regiões centrais ou de grande circulação, ou alterando o sentido de vias para melhor escoamento. Os termos técnicos utilizados como fluxo e escoamento, tratam a organização da cidade como uma organização industrial da vida, separada por etapas para melhor dinamização da produção. Tais estratégias também evidenciam como, quando e por quem essa organização pode ser alterada. Isso estaria mais ligado à noção de cidade como lugar produtivo ou como lugar de convivência e encontro?

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A forma como definimos o tempo do trabalho, atualmente expansível à suposta privacidade dos smartphones, ajuda a entender como organizamos o espaço da cidade enquanto lugar de trabalho, mas também enquanto possibilidade de vivência e convivência. Insisto no exemplo das regiões centrais não apenas por ser onde desenvolvi minhas pesquisas, mas porque essas regiões ajudam a visualizar as tensões e desigualdades das cidades contemporâneas.

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Um tema bastante recorrente na análise da organização da urbe está em como seu centro é usado: São Paulo, por exemplo, concentra ainda hoje um comércio de perfil mais popular, mas seu centro histórico já concentrou o fluxo financeiro internacional que transita pelo país[4]. Atualmente, assim como outras regiões centrais e outras cidades, concentra, também, áreas degradadas e a presença de moradores de rua, cortiços e pequenos comércios. Em São Paulo e em Los Angeles persistem áreas de uso de crack em ruas de bairros centrais, em grande medida alimentadas pelas políticas públicas descontínuas e de intervenção repressiva ao lado de um conjunto de edificações que passa a ter seu valor histórico reconhecido e adicionado a discursos e projetos “revitalizadores”. A cidade e seu centro são cada vez mais espaços de interesses conflitantes em disputa.

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O tempo laboral não dá conta de todos estes interesses, alguns dos quais se expressa no final das atividades do trabalho diurno ou em áreas não pensadas para o trabalho. Ou, de outra forma, o tempo laboral que costuma ser imaginado enquanto oito horas diárias, em quarenta ou quarenta e quatro horas semanais, não considera os trabalhos que se dão fora deste contexto. Na rua do Arouche, que liga a Praça da República ao Largo do Arouche, o anoitecer e o fechamento das lojas possibilita a presença dos michês, rapazes que se prostituem, oferecerem seus serviços; pequenas vans podem ofertar sanduíches às pessoas que vão sentar e beber no largo; “aviõezinhos” oferecem outras drogas que não o cigarro e o álcool ao lado de uma base da polícia militar; celulares iluminam os rostos de quem acessa a rede pública gratuita e busca por parcerias afetivas ou sexuais para um momento ou algo mais duradouro; nas ruas ao lado, as travestis também oferecem seus serviços sexuais em ruas disputadas pelo mercado imobiliário e por novos restaurantes e bares de classe média. A região outrora designada como “abandonada” agora é vista como boa para se investir.

A praça e a política

No início de 2017, com a nova gestão municipal, algumas pequenas mudanças foram sendo feitas no Largo do Arouche. O largo, uma praça ampla e antiga, tem sido local de encontro e sociabilidade de pessoas que se definem no espectro da sigla LGBT+[5] há pelo menos cinquenta anos e, mais recentemente, tem sido tratada como um lugar histórico para essa população. Dessa forma, passou a ser foco de algumas ações públicas de valorização de sua área e de seus frequentadores, com atividades especialmente direcionadas a LGBT como a colocação de bandeiras do arco-íris por alguns meses. Mas nem tudo tem sido motivo de comemoração.

 

Uma dessas mudanças foi o cercamento de uma árvore centenária, protegida de ser utilizada como urinol. A árvore remetia à memória do banheiro público que existia na praça e fora demolido para evitar seu uso como lugar de encontro para práticas sexuais entre homens. Além disso, a cerca foi uma ação da nova gestão combinada com a alteração do posto da polícia militar para o meio da praça e o anúncio de um projeto de reforma que seria bancado por um escritório de arquitetura e uma rede de supermercado, ambos franceses. Essa combinação resultou em apreensão pelos frequentadores jovens das periferias que estão no largo aos domingos e vislumbraram mais um dos tantos processos de gentrificação que ocasionaria a sua expulsão.

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Um exemplo deixa os motivos desta apreensão bastante claros: a base policial, requerida há anos por estes jovens que denunciavam as violências cotidianas, agora passava a reprimir sua presença. Os limpos e brilhantes desenhos do projeto de reforma da praça certamente não os incluía. A praça, enquanto lugar de encontro, não era mais para que todos se encontrassem; ou, ao menos, não estes todos.

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Boa parte destes jovens se organizam em coletivos e têm disputado instâncias de discussão de políticas públicas de direitos humanos, saúde, etc. O que essa atuação tem mostrado é a complexidade da noção de “direito à cidade” quando se observam os diferentes recortes de pertencimento dos sujeitos, ou, como tem sido nomeado por pesquisadoras/es, pelo entrecruzamento de diferentes marcadores sociais da diferença. Todo mundo se localiza socialmente em alguma classificação, algum marcador, que é socialmente produzido. Assim, em termos de cor, um homem gay negro pode circular com maior ou menor dificuldade nos espaços da cidade por conta do racismo estrutural, articulado com a expressão de sua sexualidade e o gênero com o qual se identifica. Isadora Lins França, cientista social, apresenta uma análise frutífera destes muitos cruzamentos que ajudam a compreender os constrangimentos impostos por relações de poder e de desigualdade. E os jovens frequentadores do Arouche têm se apropriado destas questões para ponderar que tipo de políticas devem ser direcionadas a LGBT+.

 

Durante a campanha eleitoral municipal de 2016, estes jovens passaram a participar de debates na produção de planos de governo de algumas/uns candidatas/os. Nesses encontros, lideranças como Elvis Stronger, da Família Stronger, uma das organizações de jovens que frequentam o Arouche, articulavam como o argumento da importância das políticas para LGBT+ não poderiam se focar apenas em ações direcionadas, mas na política urbana mais ampla. Suas falas cruzavam a necessidade de um olhar para as interseccionalidades no cruzamento dos marcadores de diferença: não se poderia pensar na proteção de LGBT+ sem discutir como o aumento da tarifa do transporte público afeta a mobilidade destas pessoas moradoras das periferias. À primeira vista, esse tópico afetaria qualquer pessoa, mas o apontamento de Elvis reforça a importância do olhar direcionado.

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Quando falamos de “direito à cidade” e tratamos de pessoas, quais as especificidades temos que considerar? Garantir tal direito pode se expressar de diferentes maneiras. Neste texto, tentei argumentar que há recorrências e diferenças na análise sobre a cidade e enfatizar a necessidade de um olhar direcionado às diferenças e desigualdades que têm se intensificado nos últimos anos. Para quem garantimos o direito à vida na cidade?

NOTAS

[1]  Ver as análises recentes sobre as contribuições de Jacobs em “Situando Jane Jacobs”, coletânea organizada por Renato Cymbalista (2018) e as discussões de David Harvey sobre a noção de “direito à cidade” publicadas na Revista Piauí, edição 82, julho de 2013. Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/materia/o-direito-a-cidade/

 

[2] As chamadas “Jornadas de Junho”, ocorridas em 2013, se iniciaram por grandes manifestações organizadas por movimentos como o Movimento Passe Livre (MPL) e se expandiram da discussão sobre o transporte público em São Paulo para a política nacional.

 

[3] Parte dos Jardins, bairro nobre da cidade, foi projetado tendo como parâmetro as propostas de “cidades-jardins” do arquiteto britânico Howard Ebenezer no início do século XX. Disponível em: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/04.042/637

 

[4] A Bolsa de Valores ainda se localiza no centro histórico, mas a maior parte das empresas transnacionais possuem suas sedes na avenida Berrini, região sudoeste da capital, ao lado do bairro do Morumbi.

 

[5]  Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Mulheres Transexuais e Homens Trans. O + indica a possibilidade de adicionar outras populações, como Intersexo, Assexuais e Queer.

PARA SABER MAIS

FERNANDES, F. Brancos e negros em São Paulo. São Paulo, Global Editora, 2010.

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FREHSE, F. O tempo das ruas na São Paulo de fins do império. São Paulo, EdUSP, 2005.

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GLASS, R. “Introduction to London: Aspects of Change”. Centre for Urban Studies, London. In: GLASS, R. Clichés of Urban Doom. Blackwell, Oxford, p. 132-158, 1989 (1964).

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JACOBS, J. Morte e vida de grandes cidades. São Paulo, WMF Martins Fontes, 2011 (1961).

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LEFEBVRE, H. O direito à cidade. São Paulo, Centauro Editora, 2009 (1968).

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FRANÇA, I. L. Consumindo lugares, consumindo nos lugares: homossexualidade, consumo e subjetividades na cidade de São Paulo. Rio de Janeiro, EdUERJ, 2012.

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PUCCINELLI, B. " Perfeito para você, no centro de São Paulo": mercado, conflitos urbanos e homossexualidades na produção da cidade. Tese de Doutorado (Ciências Sociais), Unicamp, 2017.

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RUBINO, S. Enobrecimento Urbano. In: FORTUNA, C.; R. P. LEITE (orgs.). Plural de cidade: léxicos e culturas urbanas. Coimbra: Edições Almedina, 2009.

O AUTOR

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Bruno Puccinelli é doutor em Ciências Sociais pela Unicamp.

Tem trabalhado com o debate sobre gênero, sexualidade, direito à cidade, mercado imobiliário e direitos humanos e saúde.

COMO CITAR ESSE TEXTO

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PUCCINELLI, Bruno. Quem tem direito à vida na cidade? Coletiva, Recife, n. 24. Coletiva. fev.mar.abr.mai. 2019. Disponível em https://www.coletiva.org/dossie-direito-a-cidade-n24-artigo-quem-tem-direito-a-vida-na-cidade. ISSN 2179-1287.

APOIO
REALIZAÇÃO
LABJOR/UNICAMP
LABJOR
Fundação Joaquim Nabuco
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